1 de janeiro de 2026

1º de janeiro de 2026


Dois mil e vinte e seis. Estamos aqui nessa mudança inventada coletiva. Acordei no sofá-cama num dos escritórios da minha amiga, outra cidade. A casa toda escura, cortinas fechadas, gente dormindo em outro sofá, esse na sala, cachorro também, gato também. Sabia que já estava mormaço lá fora porque fui na ponta dos pés até o banheiro para lavar o rosto, os dentes, passar um hidratante que não era meu. O resto da casa estava envolvida nos ares-condicionados. Meu pai já tinha mandado mensagem e estava em vias de ligar, eu tinha combinado que almoçaria com ele na casa do tio. Atravessei o apartamento escuro, dei tchau silencioso pro Meia-Noite, o cachorro companheiro da pessoa do sofá, peguei minha bolsa e desci os quatro lances de escada. Chamei um Uber que não ligou o ar-condicionado e eu não fiz questão de reclamar. Fui direto para o almoço. Calor, ventilador nos pés, cachorrinha cega indo atrás de cheiro de comida, petiscos na mesa, cerveja mágica que se enche no copo sem nem ver. Sagu de sobremesa, sorvete de flocos também. Levei o que sobrou da maionese num pote, não posso esquecer. Voltei para minha casa, me joguei dessa vez no meu próprio sofá e dormi. Acordei, me arrastei até o banho e retornei outra pessoa. Vesti o pijama do varal, não sequei a franja, azar, ninguém veria. Li um pouco d'O leilão do lote 49, vagarosa mas sempre. Dois ovos fritos, café com leite, queijo colonial. Me sentei numa cadeira de praia no quintal de casa, ao lado do meu pai, para tomar chimarrão. Chamamos os gatos para ficar junto. Hector se animou e fingiu ainda ter pique de caçador, respiração acelerada, olhar focado em qualquer coisa que poderia estar se mexendo nas hortelãs que ficam aos pés da floresta de tomate que toma o muro. Bebê, Baby, já não esconde a fadiga da idade e prefere o fresco que os trilhos do carro oferecem. Fiquei observando as flores do pé de pitaya se abrindo, foquei o olhar numa só flor. Fui para dentro de casa buscar alguma coisa e quando voltei ela estava mais aberta que antes. É mágico. Elas abrem e morrem em uma única noite e decidiram que o primeiro dia do ano seria uma boa escolha. Também achei. Já noite, os mosquitos começaram a aparecer. Eu fui para a cozinha fazer um macarrão, meu pai pegou a escada e ficou lá fora para ajudar na polinização das flores e assim poder ter uma que outra pitaya em mãos. Fez isso com muita cautela porque no topo mora uma pombinha em seu ninho. Ela não saiu de perto em nenhum momento, completamente confortável. Logo é dia 02.


* * *

Não me animei a fazer qualquer retrospectiva, esse não é um ano que eu quero analisar. Não que os outros eu quisesse, mas é coisa que as pessoas fazem. Segundo o letterboxd vi 133 filmes, o goodreads diz que li 14 livros. Alguns eu gostei, outros não, etc etc etc. É isso.

15 de novembro de 2025

Quarta, quinta, sexta, sábado

Quarta-feira, 12 de novembro. Farei legumes salteados. Fiz legumes salteados. Escrevo sobre comida porque é hora da janta. Estou aos poucos voltando a assistir filmes (séries desisti por ora). Há nos favoritos do navegador uma página do Mubi de CURTAS e outra SAINDO EM BREVE. Curtas porque é pá-pum e a segunda porque acho meio palha o sistema de exibição do site, às vezes fico sabendo de títulos apenas porque anunciou-se a saída. Mas aí não é muito diferente de qualquer outro streaming. Falando nisso, assinei o Filmicca de supetão porque apareceu promoção e eu não resisto, sou facinha mesmo (não sou nada). Gostei de cara porque não tem sistema de notas nem review, é título, capa, ano e duração. Nem diretores são destaque. Aprecio demais saber de menos.

Quinta-feira, 13 de novembro. Cheguei do trabalho, tomei chimarrão, comi pipoca. Fui na farmácia da esquina, como toda esquina de qualquer lugar, e comprei paracetamol, antialérgico, antisséptico. Não me cortei nem estou espirrando mas eventualmente essas coisas acontecem então estou preparada. Existe a dor de cabeça, espero que logo passe.

Lavar roupas é para ser tarefa simples. Recolho o cesto de roupas sujas do banheiro e também todas que espalhei pela sala, cozinha, quarto, abro o tambor frontal e jogo tudo lá. Sabão líquido e amaciante, modo rápido, secar 30 minutos. Por algum motivo os dias vão passando e as pilhas subindo e eu vejo tudo mas não me mexo. Tomei um paracetamol, liguei a máquina. Daqui 1h12 vai tocar a música.

Terminei de ler Frankenstein da Shelley. Achei muito bom etc e tal. Fiquei pensativa sobre a autora, uma novinha nepobaby culta e ricaça. Queria ser ela. Vi o filme homônimo de 1931. Fiz macarrão, desliguei as luzes da cozinha, acho que vou dar play nesse novo aí.

Sexta-feira, 14 de novembro. Desci a rua rumo à padaria que foi ficando mais chique ao longo dos anos. O dia foi todo quente mas tive que colocar um casaco para conter o vento que fica alegrinho quando cai o sol. No caminho me transportei para algum outro lugar, memória inventada, futuro, sei lá. Vi algumas casas com luzes de natal, observei janelas a dentro, senti vontade de comprar luzes de natal também. Ainda não quero pensar nas coisas que essa época sempre leva a pensar. Comprei salgadinhos fritos de festa, sextou, amanhã é feriado e não trabalho. Ontem vi 15 minutos de Frankenstein, o novo, e hoje pausei faltando 45. É filme demais, nem precisa de tanto.

Sábado, 15 de novembro. Acordei tarde, tomei banho e depois café da manhã na cama enquanto lia My year of rest and relaxation da Ottessa Moshfegh (por indicação). Almocei churrasco no asilo em que meu tio é voluntário e fui com meu pai até a restauradora encher o carro de estátuas de santos diversos que foram remendados e então devolvidos à igreja do lar de idosos. Sabadaço. Voltei, ar-condicionado ligado, dormi.

Eu como muito saudável durante a semana então resolvi me dar o luxo de comprar besteiras que prefiro não dizer para servir de janta. Anoiteceu, peguei a cadeira de praia, sentei debaixo do pé de pitaya (tem uma pombinha com ninho nele!!!) e tomei chimarrão. Os gatos ficaram na volta rolando na grama, principalmente o Hector. Quase me senti em paz aqui, sentimento estranho. Terminei de ver Frankenstein. Achei pau mole.

bolsa baguete com estampa de limão siciliano
foto de cima de gato laranja na grama

A bolsa eu fiz algum tempo atrás. É o mesmo tecido da necessaire feita de teste (e tenho usado muito). Desse retalho também saiu uma capa para a máquina de escrever. O vestido florido era da minha mãe. O tênis, por muita sorte, recebi do entregador cinco minutos antes de sair correndo para pegar o trem de saída de Toulouse rumo Marselha. Hector é lindo.

29 de outubro de 2025

Halloween e outras coisas

Vou começar por outras coisas. Mais cedo passei no mercado sem muito motivo, quis comprar besteiras. Levei tomate cereja (comecei bem), um vinho de R$ 19,90, uns salgados questionáveis, um salgadinho mais questionável ainda (aqui degringolei), dois bolinhos de cenoura (melhorou). Espero que os salgados não me deem azia, o vinho eu disfarcei com uma pedra de gelo. Ridículo esse clima, chove, venta, faz frio. Coloquei cachecol, capa de chuva, como se agora fosse outono e o natal, já logo aí, tivesse neve. A panela de pressão faz tch-tch-tch, tô imitando receita da Ana Zambrin em versão reduzida, se der certo faço para meu pai também. No ouvido toca Etran De L'Aïr e de leitura comecei Frankenstein da Mary Shelley. Queria ver o filme do Guillermo del Toro no cinema mas aparentemente não vai passar em Porto Alegre, que desgraça.

Nossa, a comida ficou uma delícia. Vou tentar comer sem sujar o teclado. Fiz um purê de batatas pra acompanhar.

Não sei se eu gosto do que escrevo aqui. Vou jogando frases, falando sozinha, sem muito nexo. Tenho evitado olhar para trás, para frente. Olho para o pé, descrevo o chão, o agora, sem pensar muito. 

Agora, halloween. Bem que eu queria ser pouco mais criativa, ou ousada, sair com uma fantasia de canudo plástico gigante como vi passando em algum feed por aí. Poderia inventar história, mas no fim eu só queria qualquer motivo pra deixar minha franja bonita no lugar porque meio que minha personalidade depende disso. 

Outro dia, antes da mente colapsar (ó lá o drama), ouvia Getúlio Abelha enquanto trabalhava. Seguiu tocando relacionados e um deles era Potyguara Bardo, de onde veio a ideia (depois disso a ladeira desceu pros metais e adjacentes). Elf, But Make It Goth. Comprei as orelhas e esse negócio das mãos e um batom preto. Acho que arrasei, quero acreditar nisso, VÁRIAS pessoas (três) na plataforma do trem vieram elogiar. Elfa pobre existe!!! Enfim. As Fotos Da Festa Ficaram Ótimas.exe, não fiquei bêbada, desci a Borges chorando e peguei o trem de volta pela manhã.

halloween - elfa gótica

O vestido que usei é o mesmo que fiz para meu aniversário, segue sem fotos. Para combinar fiz uma bolsinha muito da charmosa na tarde antes de ir para a festa. Essa ainda não fiz fotos, talvez em breve faça. E também talvez eu tenha visto RuPaul's Drag Race e Project Runaway demais aí qualquer festa é sempre um DESAFIO que invento algo para fazer de última hora, como se alguém fosse perceber e colar uma estrelinha na minha testa. Amanhã levanto cedo, vou lá dormir.

Fun fact: fiz essa montagem maravilhosa no famoso programa Paint.