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14 de setembro de 2025

O final de semana vem e logo vai

Meu fone de ouvido/headset é um JBL barato que já contabiliza vários verões. A pelezinha do acolchoado já descascou por inteira e agora tá só o bagaço abraçando minhas orelhas, fora isso tudo ótimo, bateria dura a perder de vista.

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Eu vi assombração.

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Sexta-feira à noite era comemoração de aniversário da minha colega de trabalho. Coisa simples, só de achar um canto para se escorar e beber algo. Coloquei um vestido de malha que fiz logo no início da pandemia (voltou a me servir bem, dei uma emagrecida). Curtíssimo, mas nem poderia ser diferente, o tecido era retalho de uma fábrica que fechou e não sobrou um fiapo extra para contar história. Fazia frio, usei uma gola alta por baixo do vestido, meia-calça preta. Também uma camisa verde escuro por cima disso e um blazer ganhado faz anos mas que até então nunca tinha usado. Nos pés um Adidas azul, na cabeça o cabelo preso no alto. Comi um pastel às 3h30 da manhã e no mesmo dia acordei às 6h30 para trabalhar.

Trabalhei. Meio-dia do sábado eu já estava casa, almocei e logo saí novamente, nem descansei. Vi Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles pela segunda vez esse ano, dessa vez no cinema. Lá em abril eu abri o site do Sesc Digital às 23h, desliguei as luzes e não pisquei até o último minuto dos 202 que possui. Fechei o notebook mas não parei de pensar por dias no que eu tinha acabado de assistir. Fiz paralelos pessoais demais para explanar aqui, nunca escrevi a respeito e metade deles já esqueci. No telão a experiência coletiva foi diferente. Talvez fosse o sono da noite mal dormida. As luzes de emergência guiando a saída nas laterais do prédio antigo, a luzinha de segurança debaixo dos degraus indicando o caminho, o celular da pessoa desgraçada na minha frente que insistia em olhar a hora (15h52, 17h24, 17h28). Daqui uns anos revejo.

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Música de IA deveria ser crime.

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Segunda vez só nesse ano que a película de vidro do meu celular quebra. Rachou bem em cima da câmera, tá ficando estranho. Já não é das melhores, ficou pior ainda. Preciso trocar, mas que saco.

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O almoço de domingo ficou por minha conta. Fiz um macarrão caprichado, coloquei a mesa bem bonita, servi suco de uva. Agora, já noite, fiz um monte de legumes salteados. Preciso comprar mais manteiga, tomates cereja, brócolis. Também coloquei post-its no espelho que me reflete agora no quarto "comprar calcinhas, meias", "comprar base, hidratante", "comprar cabides". Sugestões para evaporar dinheiro.

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Nunca tinha visto laranja que fosse vermelha assim.

20 de agosto de 2025

Notas em blocos

Eu penso demais naquelas notícias de gente desaparecida e encontrada lá longe, estados de distância, às vezes até um mar aí no meio. Sumiço doido, sem avisar, cortar laços, viver outra vida. "Não sumi, só não quis aparecer", teria dito alguém.

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Dia desses, sala de depilação, pernas pro ar, a profissional me pergunta "tá tudo bem?", não com a situação, que estava, mas com a vida. Dei de ombros e respondi "é, mais ou menos". Tava sem energia para fingir um tá tudo certo, tá tudo ótimo, coisa boa, vida que segue. É, mais ou menos. Qualquer pessoa fica sem saber o que responder, eu não saberia o que responder, cometi esse crime. Silêncio. Ela balbuciou um é, a vida é assim mesmo e em seguida começou a contar com entusiasmo da nova oportunidade de ganhar renda extra, algo envolvendo depósitos, e como pesquisou bastante para não cair em golpe, "já caí tanto em golpes!", disse enquanto descrevia um. Elogiei o cabelo. E as pernas lá em cima.

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Eu sei que faz parte da fauna local mas ainda assim sempre acho graça quando me deparo com o sotaque "bah, o Armandinho é o terror meu". Esse eu só acho cômico, personagem mesmo. Viro a cara para um específico, região específica, ainda da capital. Geralmente vem com nariz empinado dizendo absurdos, não importa a roupagem. Bom, fim de papo.

colagem, desenho de carinha feita com caracteres dando de ombros e flores por cima de uma foto analógica de árvores
Sem título. Colagem de desenho palito sobre foto analógica desfocada (por não saber focar)

14 de julho de 2025

Cabelo, filme, estante

Abri o bom e velho bloco de notas no computador e agora posso deixar as coisas em negrito, itálico, colocar links? Que moderno, querido, que tecnológico. Ao lado dessa aba tem mais 12 (apenas 12, dessa vez) que fazem companhia, coisas de meses atrás, coisas que já esqueci ou perdi o interesse ou propósito, mas como não quero revisitar vou deixando aí até chegar a hora de fechar. Uma hora chega.

Ontem cortei o cabelo. Sozinha, no espelho do banheiro. Dessa vez não com a tesoura Elgin da cozinha, tão velha quanto meu pai, mas com a de papel do meu atelier. Pesquisei "wolf cut" no youtube e imitei o que me parecia mais sensato. Dividi meu cabelo em duas partes, frente e costas, dois rabos-de-cavalo lá no topo, e cortei conforme instruído. Não há provas, mas gostei do resultado.

A pesquisa dessa vez foi só pra fazer charme, não que precise. Não que eu saiba de alguma coisa. A ideia sempre é só pegar a tesoura e cortar o que parece que precisa ser cortado, faço isso desde 2011 (quando tive coragem de cortar meu cabelo longo). Poucas vezes fui feliz em salão, cortam de menos ou demais, comentam defeitos que nem existem. A última cabeleireira que fui gostei bastante, até repeti, mas pela distância acabei imitando o corte em casa mesmo. Cabelo cresce, é só uns pelos na cabeça.

Ainda na editoria youtube, acabei de ver um filme. Noite de inverno em Gagra (Зимний вечер в Гаграх), de Karen Shakhnazarov. Uma espécie de musical soviético, uma mistureba que não se explica tão bem de sapateado, Egito, sintetizador, máquinas substituindo artistas. Achei mais ou menos, mais pra menos, mas feliz por ter visto algo. Fazia mais de mês que não atualizava meu letterboxd (e esse foi o centésimo filme do ano!).



Ah. Mais uma coisa, importantíssima. Comprei uma sapateira tosca baratérrima na shopee (nunca antes tinha me aventurado) e me diverti montando o quebra cabeça, fui na intuição e deu certo. É feia mas resolveu uma bagunça que não sabia onde por.


Igual o cabelo, vou deixar o resultado na imaginação.

9 de junho de 2025

Insira título engraçadinho

Abri essa página em branco para escrever mas mais como impulso, cabeça tá vazia e nem tenho urgências (se tivesse, não seria aqui o lugar) pra sopa de letrinhas (as letrinhas os meus miolos). (Parênteses). Tem uma pilha de roupas me encarando na cadeira do quarto mais um cesto de roupas limpas para guardar. Azar, uma hora some. Hoje de tarde fui no mercado comprar comidas e relacionados para a nova rotina que virá mas no meio dos itens devidamente selecionados observando ingredientes e datas e custo–benefício, coloquei algumas unidades de miojo sabor galinha caipira para possíveis emergências. Sei lá, nunca se sabe. Bom, acabei de consumir uma emergência.

nathan fielder the rehearsal

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As vezes me pego pensando pensamentos e me vem memórias que já vi, passado que aconteceu, e parece tudo tão distante, a ponto de não reconhecer a minha existência naquele momento, é outra pessoa. Pensando pensamentos alto aqui, foi mal.

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Dia desses alguém aleatório mandou solicitação no Facebook (pleno 2025!) e não aceitei mas dei aquela fuçada no perfil. Achei graça da quantidade absurda de fotos de carro e das poucas páginas curtidas uma ser da Bruna Surfistinha. Rindo. Quando teve aquela febre da mulherada mais velha ler 50 tons de cinza no transporte público eu fui na biblioteca da faculdade e peguei o livro da Bruna Surfistinha (não lembro o nome, alguma coisa escorpião) e li no transporte público. Na época achei tudo isso engraçado, sou uma pessoa simples.

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Terminei de ver The rehearsal do Nathan Fielder e o final me lembrou uma senhora com quem trabalhei certa vez que tinha uma condição psiquiátrica diagnosticada mas não se medicava e volta e meia tinha crise mas falava sempre “como posso ser doida se eu trabalho?” — em tom de piada mas falando sério. Repeti muito essa frase até ficar desempregada e doida-ish.

nathan fielder the rehearsal

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Em fevereiro, quando inaugurei esse endereço, publiquei resuminho do last.fm e livros lidos. Março e abril foram lugares que fui, coisas que fiz, fotos que tirei. Maio foi mixuruca. Eu tenho dessas de não conseguir manter regularidade das coisas. 25 álbuns que ouvi no mês? Ótimo, não vai se repetir. Tem isso também de não querer ter uma linha do tempo tão correta e linear porque isso configura compromisso de manter coerência e bora para os 25 álbuns ouvidos do mês seguinte. Os últimos três livros lidos com comentários. Lugares visitados com informações corretas. Sem bora. Tô ouvindo Ploho, lendo Pornô chic (no finalzinho já) e não visitando nada agora. Qualquer hora dessas posto alguma foto feia sem nenhuma informação relevante da viagem de 2019 mas não prometo nada.

Ando ansiosa e ocupada. Vou salvando os links no Feedly e lendo conforme dá. Tentei o Inoreader e achei muito melhor mas simplesmente esqueço que ele existe então vamos de Feedly. Tô lendo os diarinhos da Arantxa (também li A vegetariana!), da Lia, do Zé Tampinha, da Uaba, meu feedreader sempre trava com a sequência de fotos lindas do cotidiano da bamoretti, li todos os filmes do mundo do Felipeta, [redacted] e li outros blogs também, provavelmente li o TEU blog *apontando o dedo em todas direções* mas já é um horror de tarde, nada disso tem revisão e eu preciso dormir.

27 de maio de 2025

Agora

Estou de pijama debaixo do meu edredom bordô pesadão. No fone de ouvido comecei ouvindo o último disco do Sparks e agora toca a playlist da banda. Tô vendo picotado O discreto charme da burguesia do Buñuel e só porque apareceu o selo no Mubi mostrando que vai sair do catálogo. Quando vi O anjo exterminador no cinema o carinha que apresentava a sessão disse que era o irmão com menos dinheiro desse filme. Provavelmente não disse isso, mas tô com isso na cabeça. Não sei ainda o que dizer na terapia amanhã. Faço lista? Pensando em reativar outro web endereço, colocar subdomínio, usar pra costura, portfólio, sei lá. Fui tentar e fiquei perdida, não lembro mais como faz. Fica pra amanhã, coloquei na lista, outra. Confirmei presença em um aniversário, fui em outros três de familiares esse mês, coisa incomum. Tá nos rascunhos. Infinitas guias abertas aqui. Hoje quase enviei currículo para um lugar, mas fiz pesquisa, desce desce desce a tela, e senti tanto asco de gente tão pulha que deixei pra lá — Noel Fielding porto–alegrense é tudo que vou falar. Opa, é Pulp que toca agora. Ah! Terminei de ler A vegetariana, Han Kang. Não sei muito o que pensar, achei médio, li chorando, mas eu já tava chorando independentemente. Esse mês li Piquenique na estrada e Umbigo sem fundo, ambos emprestados. Do primeiro devo ter escrito algum rascunho em algum lugar mas vai ficar por isso mesmo. Não gosto de escrever sobre livros, não gosto de ler sobre bandas, não me interessa como a máquina do cinema é feita. Eu gosto de quando qualquer coisa dessas se entrelaça na vida pessoal e toma outro sentido, aí é legal. Já falando abobrinhas aqui. Vou jogar o notebook pro lado e dormir.

19 de abril de 2025

Trinta e dois

93, abril, áries, 18, 32. Assoprei velas. O três antes era um oito, reciclagem. Eu tenho aqui escrito uns 15 minutos de texto num formato que acho divertido: vou escrevendo ao vivo, igual diário, anotando horário, mantendo o fluxo de ideias e contradições. Gosto de fazer isso quando faço algum projeto inútil e uso a escrita como procrastinação mas também como uma forma de não me distrair nem desistir. Meio que firma um compromisso pessoal. Gostava. O projeto dessa vez foi fazer um vestido em um dia (e meio). Já tinha tudo em casa. Adicionei algumas dificuldades no caminho. Nunca tinha feito nada com um desenho específico de bojo, nem feito corset ou usado barbatanas. Todo o brainstorming eu registrei mas depois fiquei ruim da garganta, não consegui dormir a noite inteira e meu corpo ficou moído. Desenhei, cortei, costurei, ficou pronto. Mediano, mas pronto. Encontrei a galera, usei o vestido, teve bolo em formato de coração, karaokê, Mario Kart no Wii e filme. Acho que a última vez que comemorei meu aniversário foi 2008, algo assim.

Sei lá. Não tirei foto do vestido, não tirei foto de mim, não tirei foto de nada, ninguém. Vou deixar o texto pela metade no arquivo, a garganta me derrubou e depois ignorei o computador para conseguir terminar a peça a tempo. O humor também já é outro. Vou passar um café.

14 de março de 2025

Bloco de notas

"Saint sernin
Rue de taur
Le sherpa - crêpe
Couvent de jacobins
Augustin
Jardin japonais pierre Baudis
Cinéma abc
Cratere
Theatro sorano"

(15/10/2024, lista de dicas que me passaram para bater perna no centro de Toulouse)

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"Bebê balançando no colo da mãe
Cachorro na gaiola
Mulher de máscara
Enroladinho de salsicha no papel toalha"

(28/12/2024, no ônibus indo para Magistério)

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"Sonhei que fazia uma viagem surpresa para uma espécie de parque Disney, presente dos meus pais. Não sei com que dinheiro. Minha mãe estava viva. Engraçado que essa era segunda vez que eu ia, a primeira tinha sido com meu ex. No sonho eu tinha essas memórias falsas se misturando nesse sonho falso. Nunca sonhei com Disney. Engraçado também que meus pais não sabem inglês, nem sei como se viraram em todo o processo. Durante o descanso deles eu provava roupas e ficava feliz com novas silhuetas, tirava foto com peças que nunca tive. O tênis sim, comprei na França. As calças ainda tinham etiquetas. Num dos bolsos eu tirei meu cartão verde. Estava acompanhando as taxas de câmbio do dólar e pensando no que almoçar. Fui no banheiro e menstruei, olhei pro celular e era dia 15, fazia sentido (hoje é dia 10). Não sonhei com a parte do avião, nem sei qual país era. Só sei que era longe, longe."

(10/03/25, em casa, logo que acordei)

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"7 quilos!!
Ninguém usa dinheiro
O homem geriátrico de 36 anos
Watchparty de filme porno
Agiota
Receita falsa
Abandono de cachorro quase de raça
Pobre investindo em ação"

(11/03/25, sobre o filme Los guantes magicos)

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"Engraçado perceber o corpo somente quando dói. Meio feito sentimento. Agora é 1h59 da madrugada e estou me alongando na cama porque notei a existência da minha coluna bem na altura dos rins. Deitada, levanto as pernas para o alto, encosto os joelhos na testa, seguro meus pés. O torso gira como pode para um lado e outro. Deslizo sobre os lençóis, as pernas agora pendendo para fora da cama, ponta dos dedos da mão tocando no que seria a cabeceira, se tivesse comprado. Estiiiico.

Pronto, aliviou, posso voltar a dormir. Pela manhã com certeza já terei esquecido que preciso me exercitar com regularidade."

(12/03/25, madrugada, na cama)